Estudo da Yoyomove revela maior abertura à mobilidade elétrica fora das grandes cidades

A predisposição para a mobilidade elétrica é superior nos municípios de menor dimensão do que nas grandes cidades, segundo o segundo relatório do Observatório da Mobilidade Yoyomove, dedicado à relação dos consumidores italianos com os veículos elétricos e híbridos.

O estudo revela que 62% dos residentes fora dos grandes centros urbanos demonstram propensão para escolher um veículo elétrico, face a 42% nas áreas metropolitanas. A diferença estará relacionada, sobretudo, com a possibilidade de carregamento doméstico, disponível para 59% dos habitantes dos municípios mais pequenos, mas apenas para 32% dos residentes nas grandes cidades.

O relatório foi desenvolvido pela Yoyomove, um intermediário europeu especializado em soluções de mobilidade flexível, com particular enfoque no aluguer de média e longa duração. A empresa disponibiliza soluções para particulares, profissionais e empresas, recorrendo a tecnologia própria, inteligência artificial e aconselhamento humano para facilitar a escolha, contratação e renovação dos veículos.

Criado para analisar os hábitos, as preferências e as decisões de mobilidade dos consumidores italianos, o Observatório da Mobilidade Yoyomove combina inquéritos, dados de mercado e informação recolhida através dos canais digitais da empresa.

Nesta segunda edição, a análise cruzou um inquérito sobre mobilidade elétrica e híbrida, uma sondagem telefónica realizada junto de clientes e milhares de conversas espontâneas mantidas com o assistente digital da Yoyomove.

Interesse existe, mas decisão continua condicionada

De acordo com o estudo, 29% dos inquiridos consideram ativamente a aquisição de um veículo elétrico, enquanto 42% se declaram abertos ou curiosos em relação a esta tecnologia. Contudo, apenas 30,4% afirmam sentir-se verdadeiramente preparados para avançar.

Quando questionados sobre a motorização do próximo automóvel, 35% indicam uma preferência por veículos híbridos, enquanto apenas 9% optam diretamente por um modelo totalmente elétrico.

Para a Yoyomove, estes dados mostram que o mercado não rejeita a eletrificação, mas continua condicionado pelas atuais circunstâncias económicas, pela disponibilidade de carregamento e pelo nível de informação dos consumidores.

Híbrido funciona como solução de transição

O híbrido continua a ser entendido como uma solução intermédia para a eletrificação. Cerca de 77,2% dos participantes consideram que esta tecnologia oferece maior segurança do que um veículo 100% elétrico.

Além disso, 44% apontam o híbrido como a primeira etapa da transição, enquanto esta motorização representa 39% das referências registadas nas conversas espontâneas analisadas pelo Observatório.

Condutores de SUV mostram maior abertura

O relatório contraria também a ideia de que os veículos elétricos interessam sobretudo aos condutores de automóveis urbanos de pequenas dimensões.

Os utilizadores de SUV representam 43% da amostra e são o grupo que demonstra maior abertura à eletrificação. Entre estes condutores, 81% procuram uma motorização eletrificada, comparativamente com 67% entre os utilizadores de veículos urbanos mais pequenos.

A quilometragem anual também não parece constituir um obstáculo. Entre os condutores que percorrem mais de 30.000 quilómetros por ano, 35% escolheriam um veículo totalmente elétrico. Entre aqueles que percorrem menos de 10.000 quilómetros anuais, a percentagem desce para 19%.

Autonomia permanece como barreira psicológica

Cerca de 67% dos inquiridos afirmam necessitar de uma autonomia mínima de 450 quilómetros para se sentirem tranquilos com um automóvel elétrico.

No entanto, metade dos participantes percorre menos de 40 quilómetros por dia, o equivalente a aproximadamente 15.000 quilómetros por ano.

O estudo refere ainda que, à medida que a decisão de aquisição se aproxima, a autonomia perde importância nas conversas dos consumidores. Para a Yoyomove, este resultado indica que a autonomia funciona mais como uma barreira psicológica e informativa do que como uma verdadeira limitação de utilização.

Conhecimento influencia decisão

O grau de conhecimento sobre a tecnologia elétrica tem igualmente impacto na intenção de compra. Entre aqueles que consideram possuir conhecimentos elevados, a probabilidade de adoção chega aos 64%, enquanto entre os consumidores menos informados fica pelos 43%.

A Geração X surge como o grupo mais preparado para a transição, com 60% dos participantes a manifestarem intenção de escolher uma motorização eletrificada.

Entre os Millennials existe igualmente abertura à mudança, embora 43% não disponham de um local para carregar o veículo. Já 47% dos Boomers preferem passar primeiro por uma solução híbrida.

Risco económico é a principal preocupação

O preço, mencionado por 57,8% dos inquiridos, e a autonomia, referida por 50,8%, são as principais objeções declaradas. Contudo, o Observatório considera que a verdadeira preocupação está associada à imprevisibilidade económica da compra.

Para 77% dos participantes, o aluguer de longa duração pode facilitar a transição para a mobilidade elétrica, enquanto 80,2% afirmam que confiariam mais nesta tecnologia através de uma solução com serviços incluídos.

Entre os fatores mais valorizados encontram-se a previsibilidade da mensalidade, indicada por 53,8%, a manutenção incluída, com 46,9%, o seguro, com 38%, e a possibilidade de experimentar o veículo sem necessidade de o comprar, mencionada por 23,1%.

Segundo a Yoyomove, o aluguer de longa duração permite transformar uma compra considerada incerta numa experiência previsível e reversível, reduzindo as preocupações relacionadas com a manutenção, o seguro e a desvalorização futura do automóvel.

O segundo Observatório da Mobilidade Yoyomove conclui que a procura por soluções de mobilidade mais sustentáveis já existe, mas continua condicionada por fatores económicos, infraestruturais e informativos, mais do que por uma resistência dos consumidores à eletrificação.

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