Rent-a-car atinge máximos históricos de aquisição de veículos em Portugal
O setor do rent-a-car em Portugal registou, em junho de 2026, um dos desempenhos mais expressivos de sempre na aquisição de veículos, confirmando o seu peso crescente no mercado automóvel nacional e preparando-se para operar, este verão, a maior frota de pico alguma vez registada no país.
De acordo com dados do Gabinete de Estudos e Estatística da ARAC – Associação Nacional dos Locadores de Veículos, em junho foram matriculados em Portugal 30.317 veículos ligeiros e pesados, mais 15% do que no mesmo mês de 2025. Considerando apenas os veículos ligeiros de passageiros e comerciais ligeiros, o mercado atingiu 29.690 matrículas, o que corresponde a um crescimento homólogo de 14,6%.
Neste contexto, as empresas de rent-a-car voltaram a assumir um papel determinante. Só no mês de junho, adquiriram 10.186 veículos ligeiros de passageiros novos, um crescimento de cerca de 25% face às 8.154 unidades registadas em junho de 2025. No conjunto de todas as categorias incorporadas nas frotas — ligeiros de passageiros, comerciais ligeiros, motociclos e veículos pesados de mercadorias — as aquisições ascenderam a 10.855 unidades, contra 9.010 no período homólogo.
Para a ARAC, estes números confirmam que o rent-a-car está a atingir, em termos comparáveis com períodos anteriores, os maiores volumes de aquisição de veículos de sempre em Portugal. A associação sublinha que esta evolução reflete não apenas a recuperação e capacidade de investimento das empresas do setor, mas também a sua importância para a estabilidade do mercado automóvel, para a renovação do parque circulante e para a resposta às necessidades de mobilidade associadas ao turismo, às empresas e aos consumidores.
A dinâmica ganha particular relevância num período marcado pela transformação da mobilidade, com a digitalização dos serviços, a eletrificação das frotas, a alteração dos comportamentos dos consumidores e a crescente exigência na gestão operacional. A ARAC considera que o rent-a-car deixou de ser apenas uma atividade de apoio ao turismo, assumindo-se hoje como uma infraestrutura essencial de mobilidade, com impacto direto na economia, na distribuição de veículos novos, na qualidade da oferta turística e na competitividade do país.
O desempenho do setor está também fortemente ligado ao turismo. Numa altura em que Portugal se prepara para o período de maior intensidade turística do ano, a dimensão e modernidade das frotas são consideradas fatores críticos para assegurar a mobilidade dos visitantes, o funcionamento dos aeroportos, a distribuição territorial dos turistas e a qualidade global da experiência no destino.
Segundo a ARAC, a evolução das aquisições ao longo dos primeiros meses de 2026 permite antecipar que o presente verão será marcado pela maior frota de pico alguma vez operada pelo rent-a-car em Portugal. Esta capacidade de resposta abrange não só turistas, mas também empresas, residentes, administrações públicas, eventos e deslocações profissionais.
A associação destaca ainda o contributo do setor para a absorção de volumes significativos de veículos novos, ajudando a estabilizar a produção, as importações e a distribuição automóvel. Ao mesmo tempo, este movimento permite acelerar a renovação do parque automóvel, introduzindo veículos mais recentes, seguros e eficientes do ponto de vista ambiental.
Num mercado particular ainda condicionado por fatores como o custo do financiamento, a fiscalidade automóvel, a evolução dos rendimentos e a incerteza económica, o rent-a-car assume-se, segundo a ARAC, como um elemento estabilizador da procura automóvel nacional.
A associação chama igualmente a atenção para o crescimento do segmento RAC 2, relativo à aquisição de veículos com mais de três meses de matrícula, que tem vindo a ganhar relevância enquanto instrumento de flexibilidade operacional. Esta modalidade permite às empresas ajustar a dimensão das frotas à sazonalidade, responder de forma mais ágil às oscilações da procura e otimizar custos de aquisição.
Para a ARAC, o momento atual reforça a necessidade de reconhecer o rent-a-car como parceiro estratégico da indústria automóvel, do turismo e das políticas públicas de mobilidade. A associação salienta ainda a importância da informação estatística rigorosa e representativa para apoiar as decisões das empresas, antecipar riscos e defender o setor junto das entidades públicas e parceiros institucionais.
