Queda dos preços impulsiona procura por veículos elétricos usados

Os veículos eléctricos usados passaram a ser a motorização com maior velocidade de venda no mercado português, segundo os dados do Observatório INDICATA relativos a Julho de 2026. O estudo mostra que os automóveis eléctricos a bateria registam um Market Days Supply de 55 dias, uma quota de 16,35% das vendas e representam 12,33% do stock disponível, tornando-se a motorização com maior capacidade de absorção pelo mercado.

A evolução é atribuída a uma acentuada correcção dos preços dos veículos eléctricos usados, que os tornou acessíveis a um número mais alargado de compradores. O índice de preços de retalho dos BEV em Portugal situa-se agora em 77,30% do nível registado em Janeiro de 2020, enquanto a procura continua a crescer a um ritmo superior ao da oferta. Há dois anos, esta motorização representava apenas 6,67% das transacções de usados, tendo mais do que duplicado a sua quota de vendas.

O Observatório conclui que esta maior liquidez não resulta de uma recuperação dos preços, mas da adaptação dos valores às condições económicas dos consumidores. “A evolução portuguesa mostra que existe procura efectiva por veículos eléctricos usados quando o preço corresponde à realidade económica dos compradores. Os BEV são hoje a motorização com maior velocidade de rotação, mas essa liquidez foi conquistada através de uma correcção profunda dos valores. O desafio para o sector é preservar esta procura sem comprometer a sustentabilidade dos valores residuais”, afirmou Yoann Taitz, Regional Head of RV Forecast e Market Expert do INDICATA.

Apesar do crescimento dos eléctricos, o diesel continua a ser a principal motorização no mercado português de usados, concentrando 33,31% das vendas. Ainda assim, perdeu mais de 14 pontos percentuais desde Julho de 2024 e apresenta um Market Days Supply de 83 dias, sinalizando uma menor capacidade de rotação. A gasolina mantém uma posição equilibrada, enquanto os híbridos plug-in registam uma quebra significativa dos preços sem conseguirem alcançar o mesmo ritmo de procura dos eléctricos.

No contexto europeu, o Observatório conclui que o mercado de usados deixou de apresentar uma recuperação generalizada, passando a distinguir-se por diferentes ritmos de correcção entre países, segmentos e motorizações. Os compradores mostram-se mais sensíveis ao preço, aos custos de utilização e à diferença de valor face aos veículos novos, factores que continuam a influenciar a evolução dos valores residuais e da procura.

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