Maioria dos compradores desconhece como denunciar fraude na quilometragem
A maioria dos compradores europeus de veículos usados não sabe onde denunciar um caso de quilometragem adulterada. É uma das principais conclusões de um inquérito realizado pela carVertical a 7800 pessoas de 18 países, segundo o qual 75,8% dos inquiridos desconhecem a quem devem recorrer quando detetam este tipo de fraude.
O estudo mostra também que a adulteração da quilometragem está longe de ser uma situação desconhecida entre os consumidores. Cerca de 30,3% dos inquiridos afirmam já ter comprado um veículo com a quilometragem adulterada ou conhecer alguém a quem isso aconteceu. Outros 31,8% não têm a certeza.
Em Portugal, os dados da carVertical apontam para uma incidência de 3,78% de veículos com sinais de adulteração da quilometragem entre os veículos analisados na plataforma entre setembro de 2024 e agosto de 2025. Quando a adulteração foi identificada, a redução média registada no conta-quilómetros foi de 92 900 km.
A dificuldade não está apenas em saber onde denunciar. A maioria dos compradores também não acredita que consiga recuperar o dinheiro caso descubra que foi vítima de fraude. Segundo o inquérito, 87,3% dos participantes dizem ter pouca ou nenhuma confiança nessa possibilidade, enquanto apenas 12,7% acreditam que poderão recuperar o valor perdido.
O conhecimento sobre a legislação também é limitado. Em Portugal, a adulteração deliberada da quilometragem é considerada fraude e, de acordo com a informação apresentada no estudo, pode ser punida com pena de prisão até três anos ou com multa. No entanto, 45,1% dos inquiridos dizem desconhecer qual é a penalização máxima prevista e 7,1% acreditam que a adulteração da quilometragem nem sequer é ilegal.
Apenas 52,2% identificaram corretamente que a legislação prevê uma pena de prisão ou uma multa.
Para a carVertical, uma das dificuldades está também na informação disponível sobre os veículos importados. Quando os registos de diferentes países não são partilhados, o histórico de um automóvel pode ficar incompleto, dificultando a identificação de alterações na quilometragem.
O estudo foi realizado através de um inquérito apresentado entre julho e agosto de 2026 e contou com 7800 participantes de 18 países. A análise dos dados relativos aos veículos teve
