“Gerar confiança no cliente é fundamental nas vendas de usados”, Fábio Carreira
Fábio Carreira centrou a sua intervenção no AUTO 21 Summit, que decorreu em Fátima, na forma como os operadores do comércio automóvel podem transformar a presença digital em oportunidades concretas de negócio.
Partindo da ideia de que “o cliente está online”, abordou áreas como marketing digital, redes sociais, WhatsApp, gestão de leads, follow-up e conversão, defendendo que o objetivo não deve ser simplesmente publicar conteúdos, mas criar um processo capaz de captar a atenção, gerar confiança e conduzir o potencial comprador até à venda.
A confiança foi, precisamente, um dos conceitos centrais da apresentação. Segundo Fábio Carreira, muitos stands podem perder clientes sem sequer chegarem a saber que estes estiveram interessados, simplesmente porque o site, as redes sociais ou outros canais digitais não transmitiram a imagem adequada. Por isso, defendeu uma presença digital consistente e profissional, considerando preferível estar bem em menos plataformas do que marcar presença em todas sem conteúdos atualizados e de qualidade.
Na sua perspetiva, a venda começa muito antes de o cliente entrar fisicamente no stand. Atualmente, o primeiro contacto é muitas vezes feito através do telemóvel ou do computador, depois de o comprador pesquisar no Google, visitar o site, consultar portais automóveis, analisar as redes sociais e procurar opiniões sobre a empresa e o veículo. “Hoje, o vosso primeiro vendedor […] é o ecrã do cliente”, salientou, sublinhando que todos estes pontos de contacto devem transmitir os mesmos valores e, acima de tudo, confiança.
Também a imagem assumiu particular importância. Fotografias de qualidade, informação clara, avaliações de clientes, conteúdos sobre a equipa e os bastidores do negócio ajudam a humanizar o stand e a reforçar a credibilidade. Segundo o orador, o cliente faz uma avaliação muito rápida da empresa e uma má primeira impressão pode impedir que avance para o contacto. A comunicação deve igualmente explicar de forma clara preço, garantia, disponibilidade e restantes condições do veículo.
Na criação de conteúdos, Fábio Carreira recomendou que os stands não se limitem à tradicional ficha técnica do automóvel. O objetivo deve passar por contar uma pequena história e enquadrar o veículo numa necessidade concreta do cliente. Stock, testemunhos de compradores, bastidores da empresa, explicação de processos como financiamento, garantia ou retoma e respostas às perguntas mais frequentes dos clientes foram apontados como fontes praticamente inesgotáveis de conteúdos.
Especial atenção foi dedicada aos vídeos curtos e aos apelos à ação, os chamados CTA. Em vez de terminar uma publicação com um genérico “peça mais informações”, o orador recomendou instruções concretas, como pedir ao potencial cliente que envie uma determinada palavra por WhatsApp para receber mais fotografias, um vídeo detalhado, uma proposta de financiamento ou uma avaliação de retoma. A ideia é reduzir o esforço necessário para iniciar a conversa e aumentar a interação.
A ligação entre marketing e vendas foi outro dos pontos fortes da intervenção. Publicar conteúdos e gerar leads não é suficiente se depois não existir um processo para trabalhar esses contactos. Nesse contexto, Fábio Carreira destacou a rapidez da resposta, defendendo que uma lead deve ser contactada nos primeiros minutos, procurando perceber as necessidades do cliente e encaminhá-lo para uma visita ou test drive.
O follow-up foi apontado como uma das maiores oportunidades comerciais frequentemente desperdiçadas. “O follow-up é onde está o dinheiro todo”, afirmou, explicando que muitos negócios ficam por concretizar simplesmente porque ninguém volta a contactar o potencial cliente depois de uma proposta ou de uma primeira conversa. O acompanhamento através de CRM, e-mail ou WhatsApp permite manter a relação e aumentar a taxa de conversão.
Neste âmbito, recomendou particularmente o WhatsApp Business, pelas funcionalidades adicionais que disponibiliza às empresas, nomeadamente perfil profissional, respostas rápidas, mensagens automáticas, catálogos e etiquetas para organizar contactos por fases como “nova lead”, “visita marcada”, “proposta enviada”, “financiamento” ou “follow-up”. Estas ferramentas permitem estruturar melhor o acompanhamento e evitar que oportunidades comerciais se percam.
Quanto ao investimento publicitário, distinguiu o papel das redes sociais e do Google. Enquanto Meta pode ser particularmente útil para divulgação de stock, campanhas locais e geração de notoriedade, considerou que o Google apresenta uma vantagem importante por captar utilizadores que já demonstram intenção de compra através da pesquisa. Se o orçamento obrigar a escolher apenas uma das plataformas, admitiu que, na maioria das situações, privilegiaria o Google.
A mensagem final passou pela necessidade de medir todo o processo: leads recebidas, contactos realizados, conversões e vendas. Para Fábio Carreira, mais do que procurar soluções digitais complexas, os operadores devem primeiro “arrumar a casa”, garantir que os canais estão atualizados, responder rapidamente, trabalhar o vídeo, estruturar o follow-up e analisar regularmente os resultados. Em síntese, “não comprem likes, comprem ações”: a presença digital deve ser orientada para gerar conversas, oportunidades e, finalmente, vendas.
