carVertical alerta para aumento da fraude na quilometragem dos usados em Portugal
A percentagem de veículos com quilometragem adulterada passou de 3,8% para 5,5%, segundo o Índice de Transparência 2026 da carVertical. Portugal subiu uma posição no ranking europeu, ocupando agora o 15.º lugar entre 23 mercados analisados.
A fraude na quilometragem continua a ser um problema no mercado de carros usados em Portugal. De acordo com o Índice de Transparência 2026, divulgado pela carVertical, 5,5% dos veículos verificados no país apresentavam quilometragem adulterada, face aos 3,8% registados no ano passado.
Apesar do aumento da percentagem de veículos afetados, a média de quilómetros retirados aos conta-quilómetros diminuiu 11,6%, passando de 92.928 km para 82.131 km. Os dados mostram, assim, que a adulteração da quilometragem abrange uma maior proporção dos veículos analisados, embora a discrepância média seja inferior à registada em 2025.
No ranking que avalia a transparência dos mercados de carros usados em 23 países europeus, Portugal subiu uma posição, para o 15.º lugar. Espanha ocupa a 14.ª posição, enquanto França surge em quinto lugar e a Alemanha em segundo.
Registo de danos
Os registos de danos mantêm-se praticamente inalterados em Portugal. Segundo a carVertical, 40,7% dos veículos verificados este ano apresentavam danos registados, um valor próximo dos 40,3% do ano passado.
O valor médio dos danos desceu de 3.957 euros para 3.685 euros. Ainda assim, a empresa alerta para a importância de consultar o histórico dos veículos antes da compra, tanto para avaliar o seu valor real como para identificar eventuais riscos para a segurança.
Ramūnas Pletkus, especialista de dados da carVertical, sublinha que a adulteração da quilometragem pode levar os compradores a pagar mais por um veículo do que este realmente vale. Também os registos de danos podem ajudar a perceber o estado do automóvel e os riscos associados à sua utilização.

Menos importações
O estudo identifica igualmente uma redução do peso dos veículos importados entre os automóveis verificados em Portugal. Este ano, os veículos provenientes do estrangeiro representaram 53% do total, abaixo dos 61,5% registados em 2025.
Em contrapartida, a idade média dos automóveis analisados aumentou de 10 para 10,5 anos.
No topo do Índice de Transparência 2026 está o Reino Unido, seguido da Alemanha e da Suíça. A Finlândia ocupa a quarta posição e França fecha os cinco primeiros lugares.
Nos últimos lugares encontram-se a Ucrânia, a Bulgária e a Letónia. A carVertical destaca as dificuldades na partilha de informação entre países como um dos obstáculos à transparência, sobretudo quando os veículos são importados e o seu histórico não acompanha o automóvel de forma acessível.
Cálculo do índice
O Índice de Transparência 2026 tem por base os relatórios históricos de veículos consultados pelos clientes da carVertical entre setembro de 2025 e agosto de 2026.
A classificação considera seis indicadores: a percentagem de veículos com quilometragem adulterada, a média de quilómetros adulterados, a percentagem de veículos com danos, o valor médio desses danos, a percentagem de automóveis importados e a idade média dos veículos analisados.
Os diferentes indicadores têm pesos distintos no cálculo final, sendo atribuída maior relevância a fatores como a percentagem de veículos com quilometragem adulterada.
O estudo completo e a respetiva metodologia estão disponíveis no site da carVertical.
